Jardel Araújo da Silva é farmacêutico e nasceu em Porteiras, Ceará. Quando chegou a Manacapuru – Amazonas para trabalhar pelo grupo de farmácias Pague Menos como farmacêutico gerente, imediatamente identificou-se com o cenário que encontrou, achando muito parecido com o de sua cidade natal: drogarias muito pequenas, sem a presença de farmacêutico, baixa acessibilidade a serviços de saúde para quem mora nas periferias e muita carência, inclusive de informação.
Formado pela Universidade Nilton Lins de Manaus, após atuar em drogarias de pequeno porte ele aceitou o desafio de trabalhar na recém-inaugurada Pague Menos da cidade de aproximadamente 100 mil habitantes. "Até a conclusão da Ponte Rio Negro que liga Iranduba (mesma região de Manacapuru) a Manaus, o acesso ao local era muito difícil e isso ainda se refletia nos problemas que a população tinha para conseguir atendimento de saúde de qualidade", relembra.
Mas isso começou a mudar, o farmacêutico relata que no início a maioria da população, além de não saber quem era o profissional, mostrou grande resistência ao seu trabalho por não entenderem os procedimentos de dispensação com receita médica, de medicamentos de controle especial e por desconhecer a assistência farmacêutica. Foi preciso um grande esforço educativo, inclusive nos consultórios médicos da região.
"Havia um controle muito precário sobre a maneira como as receitas eram fornecidas aos pacientes. Eles também reclamavam quando as retínhamos na farmácia, pedindo-as de volta. Foi necessário algum tempo de adaptação para que as pessoas entendessem que a intenção da equipe da farmácia era preservar sua saúde evitando que medicamentos como antimicrobianos, por exemplo, fossem dispensados de qualquer jeito criando resistência bacteriana e prejudicando a saúde da comunidade", explica.
Uma aula de preocupação com a saúde
Além de orientar as pessoas que iam à farmácia, Jardel e sua equipe fizeram contato com a Secretaria de Saúde do município para criar programas de relacionamento com escolas para explicar o trabalho do farmacêutico e o uso correto dos medicamentos. Jardel desenvolveu também a Cartilha de Apoio ao Profissional de Saúde, contendo a legislação básica sobre medicamentos para impedir a dispensação indiscriminada e para que não houvesse entraves éticos entre profissionais de medicina e os de farmácia. "Inúmeras vezes precisamos encaminhar o paciente de volta ao seu médico, da rede pública ou particular, para um ajuste na receita ou para que sua condição fosse mais bem identificada”.
Mas fazer com que as pessoas, muitas delas idosas, voltassem ao consultório, implicava um retorno por barco ao outro lado do rio, às vezes. Assim, a equipe da Pague Menos passou a comunicar-se por telefone com os médicos e também a receber encomendas de medicamentos que estivessem em falta. "Eu ia pessoalmente a Manaus, no fim de semana, com uma listagem em mão, providenciá-los”.
Aos poucos, Jardel e sua equipe apresentaram a figura do profissional de farmácia à população e mostraram que pelo seu atendimento era possível obter medições de pressão arterial e glicemia (em ações de saúde fora do estabelecimento), orientação quanto ao uso racional de medicamentos e a importância de receber as orientações do farmacêutico. Seu trabalho de educação foi mudando gradualmente a cultura local.
"As grandes filas dos postos de saúde começaram a diminuir, já que mostramos que podíamos resolver determinados problemas ligados ao medicamento ou à assistência farmacêutica. Hoje, a figura do farmacêutico tornou-se conhecida e reconhecida pelas pessoas da região". Os profissionais farmacêuticos da Pague Menos também ajudaram a despertar nos órgãos governamentais da região a consciência de que tinham à disposição um profissional habilitado para atuar na área da saúde e ajudar a fazer um controle e identificação mais adequados do fluxo de medicamentos na saúde pública.
“Quero falar com o farmacêutico”
"Com o tempo, passamos a ser muito bem recebidos por pacientes e médicos, que começaram a exigir nossa presença na drogaria e cobrar o nosso trabalho", conta Jardel. "Isso impactou a maneira como as pessoas veem a farmácia, muitos passaram a encará-la como um estabelecimento de saúde, realmente." A preocupação da equipe da Pague Menos Manacapuru com a saúde da população também gerou certa desconfiança de início, pois antes da Pague Menos nunca houve uma preocupação com o cuidado e orientação das pessoas, além de simplesmente vender produtos. "Procuramos mudar essa visão que as pessoas têm da drogaria como apenas um comércio e isso está dando certo. É claro que acontece a venda, mas de forma correta e benéfica para a população do município".
Cuidando da população
A grande presença de comunidades ribeirinhas na região que se beneficiaram da Assistência Farmacêutica instaurada com a inauguração da Pague Menos em Manacapuru levou o Farmacêutico Jardel a organizar também trabalhos sociais. Em parceria com médicos, enfermeiros e nutricionistas, ele e sua equipe levaram orientação, roupas, medicamentos e cuidados a pessoas que sofrem principalmente, com as enchentes no período de cheia do Rio Solimões que vai de abril a julho, todos os anos. "É muito gratificante ver que continuamos a fazer a diferença para essa população. Procurei estabelecer parcerias com os demais profissionais de saúde da região e isso tem beneficiado muitas pessoas. A ideia é seguir em proximidade com a população de Manacapuru e tenho recebido total apoio da Pague Menos para isso. Assim, mostramos a todos quem somos o que fazemos, e que estamos aqui para ajudar", conclui.
Fonte: Boehringer Ingelheim - Dialogando com você (Outubro-2013)
Confira: http://dialogandocomvoce.com.br/site/2013/outubro/varejo.asp














